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A menina demônio
A menina demônio nasceu em dia de tempestade, daquelas de tornar dia em noite, foi o que me disse a freira que estava de plantão no hospital da divina madre. Até hoje eu fico meio assim com essa história, pois já diz o ditado: eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, há isso elas existem. Essa mesma freira me atazana com esse relato dês que foi transferida para o colégio que eu leciono, e já faz dois anos. Quando vejo a pobre senhora já dou um jeito de fugir pela tangente. Um dia desses não tinha como fugir e ao ouvir ela dizer “menina demônio” simulei uma tosse tão forte que a velha disparou pra enfermaria pra buscar algo que aviasse meu mal súbito. Pior ficou quando, a podre assustada e impressionada freira, veio a descobrir minha paixão pelo ocultismo. No entanto tenho uma leve desconfiança de é ela que vive colocando uma cruz muito antiga na minha gaveta todas as manhas.
Um dia desses abri a gaveta só para tirar a desgraçada cruz e qual foi a surpresa minha? A maldita não estava lá. Poxa, tava ate começando a ficar divertida aquela rotina de tirar a cruza da gaveta e jogar ela encima do diretor da escola antes de ele soltar a velha risada seca dizendo: outra vez? Com muita curiosidade sai da sala atrás da freira maluca, pois não é que não precisei correr muito porque nosso diretor chocou comigo frente a sua sala e já me passou a noticia: A freira não vem mais, voltou pra o convento alegando que só lá a filha maldita não à acharia. Só faltava essa, o colégio faz parte agora da historia maluca daquela freira inconseqüente, mas no fundo me alivio por não ter mais que escuta-la. Porém, da velha cruz que reaparecia na minha gaveta não me escapei porque lá estava pendura no pescoço de uma menina de cabelo preto-azulado, e olhos e pareciam duas avelãs de tão grande e castanhos que eram, com uma pele mais branca que cera de vela. Depois disso pedi minha demissão.
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Carlos Soney
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07:33:00 PM
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Dor
1º episodio
- Passa o casaco!
Viro e me deparo com um rapaz franzino de 1.70 de altura, branco, descendência latina apontando para mim um revolver 38 cano curto. Acho que foi o susto q me fez prestar a atenção a tantos detalhes em uma fração de segundos. Ele me aborda em uma transversal a minha rua, a qual nem lembro o nome, perto de elevada que conduz ao centro da cidade, aquela mesma perto do parque verde histórico. Poxa! Era só o que faltava, já estava, eu, chegando em casa, um JK em uma rua famosa por seus diversos bares de variados conceitos e tipos que atendem todos os públicos da cidade. É! Até aqueles que você está pensando. Meus vizinhos são estudantes de faculdade, republica por aqui é o q não falta.
Tinha acabo de dispensar uma bonita mulher, um pouco vulgar sem suas roupas, que te deixaria louco. Fui gentil. Poderia manda ela longe, mas minha educação sempre prevalece, não sou nenhum estúpido, agradeci a sua gentileza e sorri amigavelmente. Parei para tomar drinque, espantando o frio após fechar a galeria de arte que tenho com uma amiga. Sabe! Não que a bonita mulher não fosse realmente sexy e atrativa, mas como dizia uma amiga minha: falta alguma coisa. Mas por fim ela não se abateu. Antes de uma nova investida, levantei pegando a conta a pagar. Da galeria ao bar é rápido, do bar a minha casa mais ainda, por isso q sempre caio nesse buraco, ate de folga. Vou sempre a pé, refresca o mente olhar o movimento, mas prefiro passar desapercebido. Deixo minha moto descansar dos meus 90 quilos e 1,80 de altura e economizo também gasolina que ta pela hora da morte. Por fim dobro a esquina e bem junto à banca de revistas esse franzino me para ao passar. Deveria ter reparado o sei olhar pra minha surrada jaqueta de couro de brechó antes que fosse tarde demais.
- Vamos “rapá” não ouviu direito? Ou quer que eu desenhe em o maricas?
- Isso deve fazer estrago. Aponto para a arma, minhas mãos longe da cintura, estou tão próximo que poderia puxar-lhe pelo colarinho. Vou arriscar!
- Oh maluco! Ta de nóia? Ele terminou sua intimidação e seu sua mão é empurrada pela minha fazendo disparar para o auto o revolver. Antes que pensasse em lutar eu já tinha colocado minha outra mão em sua face. Agora ele retorce como muitos já fizeram ao apresentar-lhes dom, o dom da dor. Sua arma não dispara ao cair no chão. Possível ser aquela a única bala, talvez a que poderia fechar meu ultimo ato nesse palco. Acho que alguém gritou, não prestei a atenção. Deixei, ele, catatônico, pelo horror que lhe mostrei, caído no chão e segui o caminho para casa com a típica enxaqueca que sinto de quando faço essas coisas. Reparo alguns olhares pra mim, alguém correndo até ele, mas até agora de todas as vezes que usei isso nada aconteceu além de me xingarem.
:: Postado por
Carlos Soney
às
06:14:28 PM
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Até que esta tranqüilo para uma noite de “quarta-bêbada” a minha rua. Moro encima de um bar temático da era de prata dos quadrinhos com desenhos nas paredes e tudo, com som típico da época alem de trilhas sonoras dos seriados. A porta da entrada do prédio emperra como sempre, mas a imobiliária já sabe muito bem disso tudo.
- Bob, cheguei, amore mio! Jogo no canto meus all-stars surrados sem desamarra ao tirar, cumprindo meu ritual de chegada, ascendo um incenso indiano perto da cama com o mesmo fósforo que acendi a bagana do meu ultimo charutinho sabor chocolate. Quando ligo o fogão com a água para o café, bob aprece de seu esconderijo. Uma linda gatinha preta que adotei quando ela era filhote logo após de ser abandonada no parque aqui perto. Seu pelo macio e curto enrosca em minhas pernas implorando comida e atenção. É assim sempre, basta ir mexer em comida que ela sai debaixo de alguma toca de revistas velas ou da cama. Dei esse nome a ela porque pensei que esse pequeno incomodo em forma de gato fosse macho quando a peguei na rua. Mas sua primeira visita ao veterinário acabou com essa ilusão, porem, mantive o nome porque Bob não tem gênero. Sirvo nosso jantar, estrogonofe pra mim e ração com molho pra ela.
Lá vai meu celular tocar no meio do meu jantar e do meu filme de terror, “uma noite alucinante” adoro ver o principal sofrer. Olho a tela do celular após pausar o filme. É minha amiga e sócia, Vanessa, deve ter brigado com o namorado de novo, é uma tonta, mulher adora sofrer mesmo, é pior que artista em meio de uma criação. Atendo! Bingo acertei na mosca. Ela está raivosa, menos mau porque da ultima vez dava pra sentir as lagrimas escorrendo pelo telefone. Acalmo-a e explico que estou jantando, mas que logo terminaria, tomaria um banho e partiria para a casa dela onde poderíamos conversar sem nós arrependermos da conta de telefone no final do mês. Ela ri, isso é um bom sinal. Digo lhe para ir preparando os lanches que eu levo os filmes e os vinhos, duas garrafas na verdade. Escolho alguns DVD’s de shows de rock que tenho, pq de tragédia já basta a q eu vou ter que ouvir da boca dela.
“Esse negocio é perigoso, foi feito para cair” é voz de minha mão em minha cabeça toda vez que dou ignição na moto. Já faz oito anos que tudo aconteceu. Meus pais e irmã mortos enquanto dormiam, o incêndio tomou nossa casa do subúrbio da cidade rapidamente. O que me dói q eu não consigo lembrar de nada do incidente. No ano seguinte ao do incêndio que descobri que podia fazer o que fiz com o rapaz que me abordou mais cedo. Sabe! Todos tem demônios internos, mas eu tenho o poder de ver, sentir e interagir com os meus, não é loucura, mas me deixa louco. Após aquele ano descobrir como usar meus temores, meus demônios internos, para captar e mostrar todo os sentimentos e sofrimentos que as pessoas causam e mostrar-lhes em imagens perturbadoras direto em sua mente. Isso os deixa sem reação por alguns segundos e os de mentes mais fracas tende a enlouquecer, por alivio próprio nunca matou ninguém. “Esse negocio é perigoso, foi feito para cai” essa frase corre minha mente logo após um ônibus cotar minha frente depois que entrei na avenida principal fazendo meu corpo sair como um projétil para o canteiro do meio. Não me apresentei ainda: Sou Ney Souza, sou artista-plástico dono de uma galeria e tinha 28 anos.
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Carlos Soney
às
06:02:38 PM
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Na Torre
Bem do alto enxergo tudo que ocorre nesses campos. Quando o dia está claro consigo ver um pouco além no horizonte, acho que esses bons olhos são dons de sangue, pois, nunca fizeram por merecer lentes. Consigo observar tudo observar tudo e se duvida! Pergunte a lua e ao sol que me assistem meu trabalho. Via primeira flor desabrochar em campo árido e ploriferar verdejando, amarelando, violetejando, azulando, vermelhejando, enfim, enchendo meus olhos de cores e preenchendo meu rosto com um largo sorriso.
Por tanto observei tudo crescer e morrer naturalmente. Até que inventaram o artificial e vi tudo pratear, acinzentar, preitear, amaronzar, fazendo meus olhos reclamarem em lagrimas o sumiço de toas cores vivas. Ah, Deus! Como berrei de minha prisão para que tomassem consciência do que estavam fazendo. Restou só contentar-me. Depois, mesmo com meus bons olhos, não conseguia mais enxergar o horizonte. Chorei decepcionado por não poder mais cumprir com minha obrigação. Minha torre estava pequena perto da imensidão do artificial.
Estava sentindo-me sozinho, fraco, perdi meu oficio. O crick da porta rompe o silêncio de meu andar, há muito trancada. A longa barba do Tempo balança ao seu andar calmo e jeitoso. O tempo veio visitar-me. Sua voz de trovão exclama: Onde estão seus relatórios, observador-da-torre? Sabe que é vital tê-los para completar o livro do destino. Pedi a ele desculpas pela falta, minhas palavras resmungadas dizendo que não poderia mais observar, pois minha torre não era mais útil para isso. Sua risada introduziu sua resposta de forma que ate os mortos estavam atentos ao que anunciaria, como quem espera uma forte tormenta. “Olha meu jovem, se não podes olhar mais de cima, olhe de baixo, mude sua perspectiva”. Minha cara atônica não assustou. O tempo entregou uma prancheta, caneta e papel e dizia pra que eu fosse porta à fora, pois, meu trabalho estava atrasado. Sai quase arrastado dali.
Caminho meio atormentado pela primeira vez pelo mesmo lugar que vi mudar tão bruscamente. Espanta-me o marinhado de luz que deixa a noite tão claro quanto o dia. Vi em muitos transeuntes que descaso com toda aquela substituição do natural pelo artificial ainda era latejante. Percebi que o natural ainda jorrava do meio da artificialidade, dizendo que ainda estava vivo, um pouco doente, mas vivo, com o espírito forte de um guerreiro audaz. Aquilo tudo me deixa pensativo demais, não focava mais o horizonte, mas as pequenas coisas, meus relatório só ficavam ainda mais ricos de informação, estava me sentindo útil novamente. Minha torre agora é apenas um escritório que volto só pra descansar e revisar meu trabalho.
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Carlos Soney
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08:32:01 PM
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A Amiga da Loucura
Sara Cristina queria conhecer o mundo, fantasiava o dia em que sairia de casa para desfrutar de todas as maravilhas da Terra. Mas sua impulsividade de jovem, sua inconseqüência desinformação sobre os fatos da vida fazia ela trancar-se ainda mais em seu quarto que mais lhe parecia uma cela. Sua mãe a super protegia tanto q suas asas atrofiaram para seu voou de liberdade.
Um dia um anjo torto safado, um chato de um querubim, trouxe-lhe a loucura, decorada em fita vermelha sedosa. Aos poucos Sara Cristina se tornava amiga confidente da loucura, e a loucura a dela, mesmo sem nunca dizer seu nome a Sara Cristina. Cada dia o amor delas crescia e fatalmente tornaram-se melhores amigas rapidamente. Seus dias eram repletos de passeios em jardins suspensos, pirâmides que flutuavam no ar, invertidas, sobre lagoas de infinito azul que quase confundia com o do céu. A loucura confidenciava a Sara Cristina que o anjo troto safado, o chato do querubim, sempre levava ela a diversas pessoas para que ela, a loucura, a fizessem-lhes companhia. O grande problema era que nenhuma delas queria de fato sua companhia. Para a loucura Sara Cristina tinha um dom especial era única, que ao contrario das outras pessoas, podia vela, compreende-la, ouvi-la, senti-la, ser companheira e amiga. Isso tornava Sara Cristina, para a loucura, uma pessoa incomparável e única. Sara Cristina sentia q eu estar com a loucura era como passear pelas mais belas obras de Salvador Dali, que por seqüência era seu pintor favorito. Nada podia se comparar aquilo.
Em uma manhã nublada Sara Cristina acordou em um local estranho a ela. Suas mãos estavam atadas a seu corpo através das mangas de uma grossa camiseta branca sem fecho ou botões, além de fazer barulho de metal contra metal em suas costas. Ao invés de pintura nas paredes havia estofado tanto nas paredes quanto no teto e chão. Sara Cristina só reparou o dia nublado por causa de uma pequena janela próxima a ela, mas ao alto com vidro grosso. Uma pequena viseira na parede posterior a da pequena janela. Olhos femininos observam por trás da viseira, não são os olhos de sua amiga, são olhos estranhos. A viseira fecha-se. Sara Cristina percebe uma voz abafada pela porta, possivelmente da dona dos olhos por trás da viseira. Dizia a “voz” que Sara Cristina parecia calma e lúcida naquela manhã a alguém que a voz chamou de doutor. A viseira mostra ser parte de uma estreita porta. A luz é mais forte do outro lado e um homem mediano, calvo e de branco está de pé perante ela. Ela não compreende quando o homem dizia que estava ela estava doente, mas que já estava medicada. O que ela queria saber ele não dizia por mais que Sara Cristina implorasse para saber a onde estava sua amiga amada.
Os dias passaram e nada de sua amada amiga. Sara Cristina estava calma, não por causa do medicamento, mas por causa da tristeza. Sara Cristina já foi colocada nesse meio tempo em um quarto com cama, uma grande janela gradeada com vista para um jardim sem vida, muito longe da beleza dos que ela visitava com sua amada amiga. Sara Cristina olhava pela janela gradeada tentando encontrar um meio de sair daquela insana casa branca. Para maior desapontamento os medicamentos estavam inibindo sua imaginação, escravizando sua criatividade, tornando-a estéril de idéias. O tempo transformou-se em lembranças. A tristeza era única companhia naquele lugar, que ao contrario de sua amada amiga, ela sabia o nome dela e sabia o quanto ela a deixava depressiva. Depressão essa que nem os fortes medicamentos afastavam de Sara Cristina. Sara Cristina decide em um ato desesperado matar a tristeza. Sara Cristina transforma o lençol de seu leito o carrasco ao seu pescoço. Suas pernas debatendo e o seu fraco gemido afasta a tristeza. O enfermeiro do turno da madrugada nem repara o que acontece no quarto de Sara Cristina.
Não avia ninguém para chorar por Sara Cristina, nem uma fagulha de seu espírito habitava mais seu corpo. Ninguém reparou que quando a tristeza abandonou o corpo vazio uma forte luz envolveu o espírito de Sara Cristina. Era a loucura que a muito procurava sua amada amiga Sara Cristina. A loucura junto com o anjo torto safado, um chato de um querubim, levaram Sara Cristina com eles para seu estranho mundo para que ela nunca mais sofresse da ausência de sua amada amiga a loucura.
:: Postado por
Carlos Soney
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04:04:07 PM
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